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Estratégias de continuidade de negócios são peças-chave do sucesso econômico da Nissan

            O setor automobilístico teve nos últimos meses um exemplo notável sobre como o desenvolvimento de um gerenciamento de continuidade de negócios pode se revelar um componente essencial do sucesso econômico de uma empresa. A gigante Nissan foi entre as grandes montadoras japonesas aquela que conseguiu recuperar mais rapidamente sua produção depois dos desastres naturais que atingiram Japão e Tailândia em 2011. A eficiência da empresa na gestão de uma crise de proporções tão amplas foi tanta que até os concorrentes, como o vice-presidente executivo da Toyota, elogiaram o desempenho da Nissan e reconheceram nele um modelo a ser seguido.

            A Nissan conseguiu se recuperar com uma semana de antecedência em relação às concorrentes no caso das inundações que atingiram a Tailândia, e meses antes das empresas rivais no caso do Tsunami de março. Essa agilidade no momento da recuperação possibilitou que a Nissan ampliasse sua fatia de mercado nos EUA de 7,8% para 8,1% em 2011, enquanto Toyota e Honda perderam mercado nesse mesmo período. Além disso, enquanto todas estas três montadoras apresentaram baixas de suas cotações tendo em vista a recessão que atinge o mercado mundial e a excessiva valorização do iene, a Nissan foi aquela que apresentou a queda mais moderada, de apenas 11%, em comparação com as desvalorizações de 23% e 31% que apresentaram Toyota e Honda, respectivamente.

            Os analistas apontaram que a diretoria da Nissan teve um papel essencial na recuperação eficiente que seguiu os desastres naturais. Neste sentido, três características da estratégia de negócios implementados pela montadora podem ser destacados como elementos essenciais para o amortecimento do impacto de tais incidentes:

   1) Esforços para dar mais liberdade a gerentes locais em questões de gasto e fornecimento de peças, o que permitiu que tivessem mais flexibilidade para substituir peças difíceis de achar com outras mais facilmente disponíveis

 2) A Nissan também tem desde o ano passado uma plataforma única e mundial para a produção e fornecimento de peças de sua nova linha de compactos. Os mesmos componentes são usados em todos os locais de produção, seja na Tailândia, China, Índia ou México, o que significa que gargalos na cadeia de suprimento numa região podem ser superados pelo transporte de peças de outra.

 3) Alianças com outras montadoras, como Renault, Daimler e Mitsubishi Motors, voltadas a reduzir custos e o número de plataformas, e também a tapar os buracos na linha de produção. Um exemplo disso é que equipes conjuntas da Renault e da Nissan na compra de peças têm escala maior e dão às empresas mais opções durante momentos de crise nas cadeias de fornecedores.

            O exemplo da Nisssan nos ensina, portanto que o BCM não tem como objetivos únicos apenas vantagens de ordem imediata, tal como evitar prejuízos financeiros logo após um incidente. Ao contrário, a maneira exemplar como montadora japonesa soube se preparar antecipadamente para as crises e os benefícios que este planejamento trouxe perante o mercado sugerem que o desenvolvimento de uma gestão de continuidade de negócios com um grau de maturidade elevado pode trazer benefícios consistentes e de longo prazo. Se enquadram entre estes últimos o ganho de fatias significativas do mercado e a agregação de valor à marca, aumentando a confiança dos clientes, funcionários e acionistas.



17/1/2012